A perda capilar feminina pode ter diversas causas e intensidades, mas é sempre um grande transtorno. Muitas vezes existe um exagero em relação ao cabelo, já que ele é a moldura do rosto e valoriza muito o rosto feminino. Acontece que os quadros iniciais de queda capilar dificilmente são clinicamente evidentes e por isso, freqüentemente pacientes com queixas capilares são pouco valorizadas por seus médicos, que vêem nelas um certo exagero e desta forma nem sempre investigam o problema devidamente. Até que uma queixa capilar produza um quadro clínico evidente, muito tempo pode ter passado.
Assim, o especialista pode desprezar a queixa e rotular o quadro como “fisiológico” ou normal. E muitas vezes é! E como diferenciá-los? Com uma detalhada anamnese, um exame clínico criterioso e exames laboratoriais. Se um exame minucioso fosse conduzido, sinais de perda crônica capilar seriam observados, permitindo assim um diagnóstico precoce e um tratamento idem. Um exemplo totalmente diferente é o de uma mulher com cabelos finos e esparsos, quase de bebê, em que qualquer variação de volume ou perda capilar fica logo evidente, tanto para ela quanto para o médico, como também para os outros. Para um tratamento adequado é necessário um diagnóstico adequado. Como já dizia Hipócrates, “quem não sabe o que procura, não sabe interpretar o que acha”.
![]() Rarefação no topo da cabeça (Ludwig II). Zoom da região frontal, com rarefação e minituarização. |
![]() 1c - Parte Occipital (ínfero-posterior) Preservada |
Vale lembrar que sintomas capilares podem ser o prenúncio de outras doenças sistêmicas, como se fossem a ponta do iceberg. Portanto, todo cuidado é pouco. O médico deve ser consciencioso e a paciente deve ser “paciente” pois o diagnóstico nem sempre é fácil. E menos ainda o tratamento.
![]() Tabela de Ludwig. |
As perdas agudas, de início súbito, sempre assustam. Apesar de impressionarem, em geral são passageiras. Uma causa freqüente são os traumas locais desde uma queimadura por um cosmético até uma batida mesmo. Também podem ser provocadas por infecções por bactérias ou fungos. Um quadro um pouco diferente é o da alopecia areata, em que surgem placas localizadas sem cabelo, que podem ser únicas ou simétricas. O diagnóstico não é difícil e o tratamento deve começar o quanto antes. Por ter uma forte relação imunológica e psicológica, o curso pode ser muito variável – mas é, quase sempre, favorável. Uma investigação deve ser conduzida tanto para as causas diagnósticas como para afastar quadros associados.
![]() Rarefação no topo da cabeça (Ludwig II). Zoom da região frontal, com minituarização e rarefação intensa. |
![]() região Occipital preservada. Zoom da região occipital, preservada. |
![]() Rarefação no topo da cabeça (Ludwig II). Zoom da região frontal, com minituarização e rarefação intensa. |
![]() 4c - Região Occipital preservada. |
![]() Rarefação no topo da cabeça (Ludwig II). Zoom da região frontal, com minituarização e rarefação intensa. |
![]() 5c - Região Occipital preservada. |
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| Rarefação Difusa no topo da cabeça (Ludwig II). Zoom da região frontal, com rarefação e minituarização intensa. | 7c - Rarefação difusa comprometendo a Região Occipital. Transplante não recomendado. |
Subitamente inicia-se uma perda capilar intensa e que persiste por semanas. Pela velocidade do quadro, costuma assustar, mas em geral a história do problema e seu inicio súbito são suficientes para o diagnóstico. Embora preocupante, esse quadro em geral não é grave. Simplesmente o cabelo entra numa concordância de ciclo, com muitos fios entrando simultaneamente na fase de queda (telógeno), o que explica o problema, que dura geralmente apenas algumas semanas. A recuperação se completa apenas meses depois. Geralmente existe um fator desencadeante, como uma alteração hormonal (como a do pós- parto) ou um importante stress sofrido pelo organismo (uma doença infecciosa ou mesmo uma cirurgia). Outros quadros menos freqüentes devem ser excluídos como doenças imunológicas, reações a drogas ou mesmo um quadro difuso da alopecia areata. Mas, felizmente, esses são a exceção. Suplementos alimentares, como vitaminas e aminoácidos e ainda muita paciência são em geral suficientes. Exames mais complexos costumam ser dispensados. Podem ser pedidos apenas para descartar outros problemas de caráter crônico.
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| Repilação de vários fios ao mesmo tempo. região Frontal sem minituarização. | Região Occipital Normal, sem minituarização. |
Ela se parece muito com a Perda Crônica Localizada, pelo início insidioso, com períodos de melhora e piora, mas em progressão lenta. Não apresenta picos de incidência tão bem definidos, mas costuma surgir na terceira ou quarta décadas entre os 30 e os 40 anos. Diferente da AAF (Alopecia Androgenética Feminina), esse quadro geralmente é mais difuso, comprometendo as entradas e até a região acima da nuca (occipital). Não é incomum vermos pacientes com uma associação desse quadro com a AAF, tornando muitas vezes o diagnóstico realmente complexo.
Uma forma de ver a mulher é vê-la como um organismo que está continuamente perdendo nutrientes essenciais, tanto pela menstruação como pela atividade esportiva. Como a reposição natural pode ser insuficiente, agravada pelas freqüentes dietas, esta deve ser suplementada. Outra característica das mulheres é sua facilidade em acumular gordura, o que na atualidade nem sempre é bem visto por elas. Por conta disso, acabam se lançando em dietas não balanceadas ou até mesmo insanas. Se associado a exercícios freqüentes pode-se evoluir rapidamente para quadros carenciais (deficientes), do tipo desnutrição mesmo, desenvolvendo uma perda capilar importante. Um grande erro é querer controlar a balança levando em conta apenas o peso corporal, quando o certo seria avaliar a massa muscular e a porcentagem de gordura corporal, esta sim a inimiga a ser controlada. Para isso use uma balança de “bioimpedância” ou melhor, consulte um nutrólogo. Desconsiderando esta relação corremos o risco de numa dieta perdermos massa muscular, que é a nossa grande consumidora de energia, explicando assim porque engordamos novamente ao retornarmos a nossa alimentação habitual. Por isso não se trata de dieta, mas sim de modificar nos cultura alimentar. Caso contrário apenas vamos espoliar nosso organismo, especialmente se for uma dieta radical (não balanceada nem supervisionada) e associada à pratica esportiva. É preciso entender que para o organismo o cabelo é supérfluo e num momento de “crise” o corpo vai querer economizar justo nele, o cabelo. Deve-se acostumar com a idéia de que o cabelo não é apenas algo belo para ser admirado, mas muitas vezes o “órgão de choque” do corpo humano. Assim, para ter um lindo cabelo o mínimo necessário é tratar bem do seu corpo e da sua mente. Se não houver nenhum outro problema associado ele recompensará você com um lindo cabelo. É suficientemente justo, não acha?
![]() Rarefação Difusa no topo da cabeça (Ludwig II).- Zoom da região frontal, com rarefação e minituarização intensa. |
![]() Rarefação difusa comprometendo a Região Occipital. Transplante não recomendado. |
Qualidade de vida, saúde e cabelo: ponto de vista
Arthur Tykocinski
Cada vez mais fica notória a importância da forma como vivemos, aonde vivemos e o que comemos na saúde global do individuo. Algo aparentemente óbvio para as nossas avós, mas por muito desprezado pela medicina ocidental. A grande dificuldade é realizar trabalhos científicos comprovando o que as nossas avós já sabiam há muito tempo: a qualidade de vida é determinante não apenas na duração de nossas vidas, como também em como envelhecemos. Envelhecer é inevitável, mas a incapacitação decorrente deste processo pode ser reduzida, permitindo envelhecer com dignidade, certa independência e ainda plena atividade social e se possível, economicamente produtivo. Para tanto devemos buscar um estilo de vida que seja prazeroso (a medida do possível), praticar esporte regularmente (aeróbico e musculação são imprescindíveis), alimentação saudável (e hoje terapêutica) para alcançarmos o equilíbrio emocional. Enfim, é viver em harmonia, uma vida boa com um sono suficiente e reparador. E o cabelo, como indicador de saúde, assim como todo o corpo será beneficiado.
O stress e seu aspecto psicológico
Se os antigos diziam “mente sã num corpo são”, o inverso também vale. Nosso ritmo de vida e a concorrência cada vez maior levam o homem a tentar superar cada vez mais os seus limites. Para piorar temos as mazelas das grandes cidades como trânsito, poluição e sedentarismo. Além disso, nosso pouco contato com a natureza nos isola cada vez mais numa rotina estressante e sem atividade física. Caminhamos pouco e dormimos mal – tudo isso nos desgasta mentalmente ainda mais. Buscar o equilíbrio é não apenas importante, mas vital. Criar um espaço harmônico de convivência entre mente e corpo é o ideal.
Não é fácil comprovar tudo isso cientificamente, especialmente sem grandes laboratórios financiando pesquisas. Mas tem surgido estudos, como o papel do stress como “gatilho” na alopecia areata. Outro estudo mostra o stress psicológico induzindo ao catágeno dos cabelos e exacerbando o processo inflamatório.
Estamos falando de qualidade de vida, que obviamente é válido para todos, calvos ou não. A medicina vem sendo iluminada pela filosofia oriental e seus mandamentos; a acupuntura hoje é uma especialidade médica. E não é só. A medicina esportiva, assim como outras áreas médicas têm reconhecido o valor da prática de Yoga, do relaxamento, da meditação e de diversas outras filosofias que buscam reequilibrar a energia vital. Esse seria um dos caminhos para buscar o equilíbrio mente-corpo.
Para isso as pessoas devem se questionar o que realmente querem para suas vidas e o que realmente importa. Muitas vezes vivem buscando ideais que não são os seus, vivendo assim em conflito interno, que só os desgasta. Identificar as causas dispensáveis de stress já é um bom começo. Rearranjar sua rotina, dando ênfase ao esporte, ao lazer e à paz espiritual é fundamental. Devemos abrir espaço para isso. Só depende de nós. Diminuir o ritmo de trabalho pode parecer estar dispensando dinheiro ou oportunidades profissionais, mas não é. Se você considerar na vida quanto podemos render em termos profissionais referente a “horas totais trabalhadas”, perceberá que temos um ritmo mais forte na fase mais jovem que vai declinando com o envelhecimento. Assim, tudo que você fizer hoje para melhorar sua qualidade de vida e retardar esse envelhecimento significará mais rendimento futuro, pois poderá produzir mais e por mais tempo. Ora, nesse caso o numero total de horas trabalhadas será bem maior se cuidarmos bem do nosso corpo e mente desde cedo. Melhor iniciar a partir de hoje. Não se trata de ganhar mais, e sim de viver melhor. Ganhar mais será mera conseqüência. A questão é: ganhar mais o que?


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