O interesse pela qualidade da cicatriz da área doadora chamou a atenção de médicos e pacientes para novas técnicas. E, de fato, surgiram três modificações que, combinadas, revolucionaram a técnica. São elas:
1. Sutura Tricofítica – Uma idéia engenhosa, de autoria incerta. O conceito central é que após a retirada da área doadora, um chanfro de 45 graus, com 1 a 2 mm de largura e profundidade é feito numa das bordas. Isso permite que os pêlos cresçam através da cicatriz, tornando-a pilosa e ainda mais imperceptível. A cicatriz de 1mm de largura continua lá, só que agora permeada com cabelo.
2. Escala de Mayer – Outra idéia brilhantemente engenhosa. Uma tabela relacionada com uma escala de elasticidade da pele orienta o cirurgião sobre a máxima largura segura da área doadora. Assim reduzimos os riscos e surpresas evitando uma tensão excessiva desta área. O risco de alargar a cicatriz diminui drasticamente. Fundamental para sessões maiores (Super megasessões).
3. Técnica de Sandoval – Ao controlar a profundidade da incisão, minimizamos o risco de trauma dos folículos durante a retirada e ainda preservamos vasos e nervos importantes no processo de cicatrização, tornando o pós-transplante muito mais tranqüilo e quase indolor.
Essas inovações, aliadas à experiência do cirurgião, qualidade e dedicação na sutura tornaram extremamente raros os problemas na área doadora.
Essa técnica tem como proposta retirar o cabelo da área doadora sem comprometer a cosmética, isto é, sem deixar cicatrizes atrás da cabeça. Isso pode ser obtido retirando as Unidades Foliculares (UF) diretamente da área doadora, sem utilizar incisões nem suturas. É especialmente indicada para pessoas com problemas na área doadora, já limitada pela baixa densidade ou por cicatrizes de transplantes anteriores; também para quem gosta de cortar o cabelo muito curto.
Na técnica clássica, usualmente empregada, retira-se uma fina faixa de cabelo da área doadora; sutura-se o local aproximando-se as bordas, mantendo-as alinhadas de forma que a cicatriz fique imperceptível – geralmente ela tem 1mm de largura. Na técnica FUE, as UFs são retiradas com o uso de um pequeno “punch” de 0.7 à 1.0 mm. Os locais onde são retiradas as UF permanecem abertos, mas cicatrizam rapidamente.
Algumas limitações do método FUE:
É necessário raspar o cabelo – A área doadora deve ser extensamente raspada, facilitando e permitindo uma maior e melhor visualização do ângulo dos fios.
As perdas de UFs são grandes – Segundo seu principal difusor, Dr. William Rassman, mesmo nas mãos mais experientes, a técnica produz uma perda mínima de 15 a 20% das UFs retiradas. Em linguagem clara, é cabelo jogado no lixo, que não volta mais. Isso ocorre porque esse método é feito às cegas. Você não tem como enxergar de fato as raízes dentro da pele. Diferentemente do método folicular clássico, em que a separação das UFs, feita com o auxílio de microscópios 3-D, tem perda desprezível. Um novo punch em processo de desenvolvimento pelo Dr. Jim Harris promete reduzir a questão.
Nem todo tipo de cabelo é indicado – Um teste prévio indica se o cabelo é adequado. As UFs apresentam raízes paralelas e próximas, o que facilita a retirada às cegas. Por outro lado, quanto mais abertas e afastadas forem as raízes das unidades foliculares, mais UFs serão lesadas durante o processo de extração e, conseqüentemente, perdidas.
É um procedimento demorado e cansativo – A retirada leva várias horas, contra 40-60 minutos na retirada clássica. O tempo de implante é o mesmo. Isso acaba limitando o método para retiradas menores, entre 300 e 800 UFs por transplante, contra as 2.000-4.000 UFs retiradas normalmente. Traduzindo, serão necessárias muito mais sessões.
Custa o dobro - O custo monetário é em geral o dobro de um transplante folicular realizado com a técnica clássica para área doadora.
Complicações - O termo scarless hair transplant (transplante sem cicatriz) é utilizado de forma indevida. Na verdade, ficam pequenas cicatrizes hipocrômicas (mais claras) no local da retirada, que são praticamente imperceptíveis. No entanto, essas pequenas cicatrizes podem afetar a área doadora, o que dificultaria uma sessão posterior com a mesma técnica. E com múltiplas sessões a área doadora poderá apresentar uma rarefação capilar visível, nem um pouco desejável.
Conclusão: Existe um consenso de que a técnica FUE está indicada nos casos em que a área doadora já está comprometida ou para aqueles pacientes dispostos a raspar totalmente o cabelo e que apenas necessitam de um transplante folicular pequeno, em áreas restritas.
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